Durante décadas, o cubo traseiro da sua bicicleta foi um componente com o qual você raramente precisava se preocupar. O padrão Shimano HG (Hyperglide) dominava o mundo. Qualquer cassete de 8, 9, 10 ou 11 marchas deslizava perfeitamente sobre aquelas estrias de metal.
Mas a revolução das transmissões 1x (uma coroa na frente) mudou as regras do jogo. Para compensar a falta do câmbio dianteiro, os cassetes precisavam oferecer marchas mais pesadas para descidas e estradões. O problema? O padrão HG antigo era fisicamente grande demais para aceitar uma engrenagem com menos de 11 dentes.
Foi assim que nasceram os novos padrões de freehub: o SRAM XD e o Shimano Micro Spline. Se você está comprando uma MTB usada de 12 marchas ou planejando um upgrade de rodas, não saber a diferença entre eles vai custar muito caro.
Por que o pinhão de 10 dentes mudou o freehub
A matemática da bicicleta é implacável. Reduzir o menor pinhão do cassete de 11 para 10 dentes parece pouco, mas representa um aumento de quase 10% na velocidade final da bicicleta (mantendo a mesma cadência e a mesma coroa dianteira). É a diferença entre sobrar no pelotão no asfalto ou conseguir acompanhar o ritmo.
Para fazer um pinhão de 10 dentes, o diâmetro interno da engrenagem precisa ser menor. O antigo freehub HG tinha 34,9 mm de diâmetro. Um pinhão de 10 dentes simplesmente não passava por ele. A indústria precisava de freehubs mais finos nas pontas.
Micro Spline: regras Shimano
A resposta da Shimano para o problema dos 10 dentes foi o Micro Spline. Lançado junto com o grupo XTR M9100 de 12 velocidades, ele é radicalmente diferente do antigo HG.
Em vez de 13 estrias largas, o Micro Spline usa 23 estrias muito finas e curtas. O corpo do freehub é feito de alumínio para economizar peso. As estrias finas distribuem melhor a força da pedalada, evitando que os pinhões do cassete "mordam" e marquem o alumínio macio do freehub (um problema crônico no antigo padrão HG de alumínio).
O que você precisa saber no mercado de usadas:
* Cassetes Shimano de 12v (Deore, SLX, XT, XTR) só encaixam em freehubs Micro Spline.
* No início, a Shimano restringiu severamente quem podia fabricar cubos Micro Spline. Hoje, marcas como DT Swiss, Industry Nine e Mavic oferecem a opção, mas cubos muito antigos ou de marcas genéricas chinesas podem não ter a peça de reposição disponível.
XD e XDR na SRAM
A SRAM chegou primeiro à festa dos 10 dentes com o padrão XD Driver. A abordagem deles foi completamente diferente da Shimano.
Em vez de deslizar o cassete sobre estrias, o cassete SRAM XD é uma peça única (ou quase única) que se enrosca diretamente no freehub. O freehub XD tem estrias apenas na base e uma rosca na ponta.
O que você precisa saber no mercado de usadas:
* Cassetes SRAM GX, X01 e XX1 Eagle (10-50 ou 10-52 dentes) exigem o freehub XD.
* Atenção à armadilha do NX: O grupo SRAM NX Eagle (e o SX Eagle) usa um cassete de 11-50 dentes. Como o menor pinhão tem 11 dentes, ele usa o antigo padrão Shimano HG. Se você comprar uma bike com NX e quiser fazer upgrade para GX, terá que trocar o freehub da roda.
* XDR: É a versão para bicicletas de estrada (Speed/Gravel) do XD. Ele é 1,85 mm mais largo. Você pode usar um cassete de MTB (XD) em um freehub de estrada (XDR) colocando um espaçador de 1,85 mm atrás dele. Mas você não pode fazer o inverso.
Trocar roda ou apenas corpo de cubo?
Se você encontrou a bike perfeita no BazarBikes, mas ela tem um grupo SRAM NX (freehub HG) e você quer colocar um cassete Shimano XT (Micro Spline), o que fazer?
A resposta depende da marca do cubo traseiro da bicicleta.
Se a bike tiver cubos de marcas premium (como DT Swiss 350/240, Hope, Industry Nine ou Mavic), você está com sorte. Essas marcas usam sistemas modulares. Você pode simplesmente puxar o freehub antigo com a mão, comprar um freehub Micro Spline avulso (custa entre R$ 400 e R$ 800) e encaixá-lo no lugar. A roda continua a mesma.
Se a bike tiver cubos genéricos, cubos Shimano de entrada (série MT400) ou cubos originais de marcas de bicicleta (como os cubos Bontrager básicos ou Syncros de entrada), geralmente não é possível trocar apenas o freehub. O corpo do freehub é aparafusado à carcaça do cubo de uma forma proprietária.
Nesse caso, a única solução é comprar um cubo novo e pagar um mecânico para refazer a raiação da roda inteira (o que raramente compensa financeiramente) ou comprar uma roda traseira nova.
Por isso, ao avaliar uma bike usada, o modelo do cubo traseiro é tão importante quanto o modelo do câmbio. Um bom cubo modular protege o seu investimento e garante que a bike possa evoluir com você.
Perguntas relacionadas
Separamos algumas dúvidas comuns
É seguro comprar uma bicicleta usada no Bazar Bikes?
O Bazar Bikes conecta vendedores e compradores. Embora trabalhemos para manter um ambiente seguro, a negociação final é entre os usuários. Recomendamos sempre verificar a procedência da bicicleta (pedir nota fiscal ou recibo), encontrar o vendedor em locais públicos e movimentados, e inspecionar a bike pessoalmente antes de finalizar o pagamento.
Como saber se o tamanho da bicicleta é o correto para mim?
O tamanho ideal varia conforme sua altura e o tipo de bicicleta (MTB ou Speed). Na descrição do anúncio, verifique o tamanho do quadro (ex: 17", 19", S, M, L). Recomendamos usar tabelas de medidas online como referência e, se possível, perguntar ao vendedor sobre a altura dele ou pedir a medida do 'top tube' (tubo superior).
O que devo verificar ao avaliar uma bicicleta usada?
Foque nos componentes mais caros e de segurança. Verifique se há fissuras ou amassados no quadro (especialmente nas soldas), o estado da relação (corrente, cassete e coroas), o funcionamento dos freios e se as rodas estão alinhadas. Pergunte ao vendedor sobre o histórico de revisões.
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Ciclista, desenvolvedor e fundador do BazarBikes. Acredito que tecnologia é uma poderosa ferramenta para fortalecer a comunidade e o mercado do ciclismo no Brasil. LinkedIn



















