Você encontrou a bicicleta dos sonhos nos classificados do BazarBikes. O grupo de marchas é perfeito, a suspensão é topo de linha, o preço está excelente. Mas há um problema: o quadro é tamanho M (17") e você, teoricamente, deveria usar um L (19"). Você sobe na bike e sente que o guidão está muito perto do joelho, a postura está encolhida e as costas curvadas.
A reação instintiva é desistir da compra. No entanto, a biomecânica da bicicleta possui um "coringa" de alumínio usinado capaz de salvar negócios e corrigir posturas: a mesa (também conhecida como avanço ou stem). Entender como manipular o comprimento e a angulação da mesa é a habilidade mais barata e eficaz para adaptar uma bike usada ao seu corpo.
O impacto de 10 milímetros na postura
A mesa é a peça que conecta o tubo de direção do garfo ao guidão. Ela dita exatamente onde as suas mãos vão ficar em relação ao eixo da roda dianteira e ao selim.
Mesas de mountain bike e speed variam de comprimentos minúsculos (35mm para Enduro/Downhill) até extensões longas (120mm para XC antigo ou Speed). A regra de ouro do Bike Fit é que uma alteração de apenas 10 milímetros (1 centímetro) no comprimento da mesa muda drasticamente a distribuição de peso do seu corpo sobre a bicicleta.
Se o quadro ficou pequeno (curto):
Se você comprou uma bike M mas precisava de uma L, o Reach (alcance) do quadro é curto para o seu tronco. Colocar uma mesa 10mm ou 20mm mais longa estica os seus braços, abre o ângulo do tórax e permite que você respire melhor. Além disso, uma mesa mais longa coloca mais peso do seu corpo sobre a roda dianteira, o que evita que a frente da bike "empine" em subidas muito íngremes.
Equipada com Grupo Eletrônico Ultegra Di2 da Shimano e Quadro 58, é uma máquina de rua.
Se o quadro ficou grande (longo):
Se a bike L deixou você muito esticado, com dores na lombar e no pescoço, colocar uma mesa 10mm ou 20mm mais curta traz o guidão para perto de você. A postura fica mais ereta e confortável. Uma mesa mais curta também deixa a direção muito mais "arisca" e rápida, facilitando manobras em trilhas apertadas.
Angulação: subindo ou descendo o cockpit
Além do comprimento, as mesas possuem angulação (geralmente expressa em graus, como +/- 6°, 17° ou 35°). Como a mesa pode ser montada virada para cima (positiva) ou virada para baixo (negativa), ela é a ferramenta perfeita para ajustar a altura do guidão.
* Mesa Positiva (virada para cima): Levanta o guidão. Ideal para quem sofre com dores na lombar, formigamento nas mãos ou quer uma postura mais relaxada para cicloturismo e passeios longos.
* Mesa Negativa (virada para baixo): Abaixa o guidão. Muito usada no Cross Country (XC) e no ciclismo de estrada para colocar o ciclista em uma posição mais aerodinâmica e agressiva, melhorando a transferência de força nos pedais.
Se a bike usada que você comprou tem a frente muito baixa e a espiga do garfo já foi cortada (não permitindo colocar mais espaçadores embaixo da mesa), trocar a mesa reta por uma com angulação positiva de 17° ou 35° é a única salvação para levantar o cockpit sem trocar o garfo inteiro.
Os limites da correção (quando não dá para salvar)
A mesa é mágica, mas não faz milagres. Existe um limite biomecânico e de pilotagem para o quanto você pode compensar o tamanho do quadro.
O limite da mesa longa:
Se você precisar colocar uma mesa de 110mm ou 120mm em uma mountain bike moderna para caber nela, o quadro é definitivamente pequeno demais para você. Uma mesa tão longa coloca o seu peso muito à frente do eixo da roda dianteira. Na primeira descida íngreme ou degrau que você enfrentar, a sensação será de que você vai ser ejetado por cima do guidão (o famoso Over the Bars – OTB). A direção ficará lenta e pesada.
O limite da mesa curta:
Se você precisar colocar uma mesa de 35mm em uma bike de Cross Country para alcançar o guidão, o quadro é grande demais. A direção ficará extremamente nervosa e instável em altas velocidades, e a roda dianteira perderá tração nas subidas, empinando a cada pedalada forte.
Como negociar e testar
Ao avaliar uma bike no BazarBikes, pergunte ao vendedor qual é o comprimento da mesa atual. Se a bike parecer um pouco curta ou longa no test-drive, lembre-se de que uma mesa nova de alumínio de boa qualidade (de marcas como Absolute, Uno ou Kode) custa entre R$ 80 e R$ 150. É o upgrade mais barato do ciclismo.
Muitas lojas de bicicleta (Bike Shops) têm uma "caixa de mesas usadas". Se você fizer um Bike Fit profissional (altamente recomendado após comprar uma bike usada), o fitter testará várias mesas de comprimentos e ângulos diferentes até encontrar a posição milimetricamente perfeita para a sua flexibilidade e estilo de pedal.
Não deixe um negócio incrível escapar por causa de 2 centímetros de desconforto no guidão. A mesa de alumínio está lá exatamente para resolver esse problema.
Perguntas relacionadas
Separamos algumas dúvidas comuns
Como tenho certeza que a peça anunciada serve na minha bicicleta?
A compatibilidade é crucial. Antes de comprar, verifique os padrões da sua bike (ex: diâmetro do canote, tipo de movimento central, espaçamento dos cubos). Leia atentamente a descrição do anúncio e não hesite em perguntar as medidas exatas e o modelo específico da peça ao vendedor pelo chat.
As peças anunciadas são novas ou usadas?
No Bazar Bikes você encontra ambas. Os vendedores devem especificar o estado da peça no anúncio: 'Nova' (nunca usada), 'Seminova' (pouco uso) ou 'Usada'. Sempre verifique as fotos para avaliar o desgaste real do componente.
Vale a pena comprar componentes de desgaste (como correntes e cassetes) usados?
Depende do estado. Peças de relação usadas podem não 'casar' bem com peças novas na sua bike. Se for comprar, peça fotos detalhadas dos dentes do cassete/coroas e pergunte a quilometragem aproximada. Para itens de segurança, como pastilhas de freio, recomendamos preferir itens novos.
Como identificar peças originais de peças genéricas?
Peças originais costumam ter logotipos, códigos de série e acabamento superior. Peça fotos detalhadas ao vendedor e verifique se há marcações do fabricante. Peças genéricas podem ser mais baratas, mas podem ter menor durabilidade.

Ciclista, desenvolvedor e fundador do BazarBikes. Acredito que tecnologia é uma poderosa ferramenta para fortalecer a comunidade e o mercado do ciclismo no Brasil. LinkedIn

























