O sistema STI integrou freio e câmbio no mesmo manete — e mudou a estrada

Entenda como funcionam os trocadores integrados (STI/DoubleTap), por que eles são a peça mais cara da bicicleta e o que testar antes de comprar uma Speed usada.


O sistema STI integrou freio e câmbio no mesmo manete — e mudou a estrada

Se você olhar para uma bicicleta de estrada (Speed) dos anos 80, notará algo estranho: não há trocadores de marcha no guidão. As alavancas ficavam presas no tubo inferior do quadro (down tube). Para trocar de marcha, o ciclista precisava tirar uma mão do guidão, curvar-se para baixo, encontrar a alavanca e puxá-la, tudo isso enquanto pedalava a 40 km/h no meio de um pelotão.

Para enquadrar bem a escolha, consulte leia: O mercado oculto das e-bikes usadas: o que os vendedore… com atenção.

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Em 1990, a Shimano lançou o sistema STI (Shimano Total Integration), e o ciclismo de estrada nunca mais foi o mesmo. O STI integrou o trocador de marchas diretamente no manete de freio. Hoje, se você procurar uma Speed ou Gravel usada no BazarBikes, quase 100% delas usarão esse sistema (ou as versões equivalentes da SRAM e Campagnolo).

Como a mágica funciona

O conceito do STI é brilhante em sua simplicidade ergonômica. O manete de freio tem duas funções:

  1. Puxar para trás: Aciona os freios normalmente.
  2. Empurrar para o lado (para dentro): Troca as marchas.

Na Shimano, você empurra o manete de freio inteiro para dentro para subir a marcha, e usa uma alavanca menor (escondida atrás do manete) para descer a marcha. Na SRAM (sistema DoubleTap), há apenas uma alavanca atrás do manete de freio: um toque curto desce a marcha, um empurrão longo sobe a marcha.

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O preço da complexidade

A integração total tem um custo: a complexidade mecânica. Um trocador STI é, de longe, a peça mais complexa de uma bicicleta. Ele contém dezenas de peças minúsculas, molas microscópicas e engrenagens de precisão, tudo espremido dentro de um espaço minúsculo que também precisa abrigar o cilindro mestre do freio hidráulico.

Por causa dessa complexidade, os trocadores STI são caríssimos. Se você quebrar um câmbio traseiro Shimano 105 em uma queda, gastará algumas centenas de reais. Se quebrar o trocador STI direito, gastará milhares.

O que verificar ao comprar uma Speed usada

Ao avaliar uma bicicleta de estrada usada, o teste dos trocadores STI deve ser a sua prioridade número um:

  1. O teste da borracha (Hoods): As borrachas que cobrem os trocadores (hoods) ressecam e rasgam com o suor e o sol. Se estiverem pegajosas ou rasgadas, você precisará trocá-las (o que é barato), mas isso indica que a bicicleta tomou muito sol ou que o dono suava muito sobre ela (o que pode ter oxidado o mecanismo interno).
  2. O teste do retorno: Empurre a alavanca de marcha até o fundo e solte. Ela deve voltar à posição original instantaneamente, com um estalo seco. Se ela voltar devagar ou ficar "agarrando", as molas internas estão fadigadas ou a graxa secou.
  3. O teste do clique fantasma: Assim como nos trocadores de MTB, se você empurrar a alavanca e não sentir resistência nenhuma (como se estivesse empurrando o vazio), o mecanismo interno está travado.

Se os trocadores STI estiverem funcionando perfeitamente, o resto da transmissão geralmente é fácil e barato de consertar. Mas se os trocadores estiverem ruins, prepare o bolso.

Confira o que está disponível em vitrine de e-bike com atenção.

Perguntas relacionadas

Separamos algumas dúvidas comuns

  • Pergunte ao vendedor quantos ciclos de carga a bateria já teve e qual a autonomia atual. Se a bike ficou parada descarregada por meses, a bateria pode ter perdido capacidade permanente.

  • Motores centrais (Shimano Steps, Bosch, Yamaha, Brose) são mais valorizados e duráveis. Motores de cubo (na roda) são mais simples e baratos de consertar, mas têm menos torque.

  • Pela legislação atual (Contran), a assistência do motor deve cessar aos 32 km/h para ser considerada bicicleta. Verifique se o modelo anunciado segue as normas para evitar problemas legais.

  • Verifique se o modelo é padrão. Marcas conhecidas vendem o display separadamente. Se for uma bike chinesa genérica, a reposição pode ser mais difícil.

Pedro Godoy
Pedro Godoy
Ciclista, desenvolvedor e fundador do BazarBikes. Acredito que tecnologia é uma poderosa ferramenta para fortalecer a comunidade e o mercado do ciclismo no Brasil. LinkedIn

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